Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 23 de julho de 2026

Psiquiatra alerta que frases aparentemente inofensivas podem aumentar o sofrimento de pacientes e atrasar a busca por tratamento especializado

Conviver com alguém que enfrenta um transtorno de ansiedade nem sempre é fácil. Familiares e amigos costumam querer ajudar, mas, muitas vezes, acabam reforçando comportamentos que agravam o sofrimento do paciente ou dificultam a procura por tratamento.

O aumento das internações por transtornos de ansiedade observado nos últimos anos evidencia que muitos casos continuam evoluindo até situações de maior gravidade. Para especialistas em saúde mental, uma das formas de mudar esse cenário é orientar também quem convive diariamente com esses pacientes.

Segundo o médico psiquiatra Roberto Ratzke, professor e coordenador da Psiquiatria do Hospital Heidelberg, em Curitiba, a família pode exercer um papel decisivo tanto na recuperação quanto no agravamento da doença.

“A ansiedade é um transtorno que afeta não apenas quem adoece, mas toda a dinâmica familiar. Quando existe informação, acolhimento e incentivo ao tratamento, as chances de recuperação aumentam significativamente. Por outro lado, julgamentos e interpretações equivocadas costumam prolongar o sofrimento.”

O especialista lista alguns dos erros mais frequentes observados na prática clínica.

1. Dizer que é “frescura”, “falta de força de vontade” ou “coisa da cabeça”

Esse continua sendo um dos comentários mais prejudiciais.

“Os transtornos de ansiedade são doenças reconhecidas pela Medicina. O paciente não escolhe sentir medo intenso, crises de pânico ou preocupação excessiva. Minimizar esses sintomas faz com que muitas pessoas sintam vergonha de pedir ajuda.”

2. Acreditar que basta pensar positivo

Embora o apoio emocional seja importante, ele não substitui o tratamento.

“Frases como ‘você precisa reagir’ ou ‘é só controlar a mente’ costumam gerar culpa. O paciente frequentemente já está fazendo um enorme esforço para lidar com os sintomas.”

3. Esperar que a situação melhore sozinha

Muitas famílias acreditam que o problema desaparecerá com o tempo.

“Quanto mais cedo ocorre a avaliação especializada, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas e evitar complicações. Esperar meses ou anos para procurar ajuda pode favorecer a evolução para quadros muito mais incapacitantes.”

4. Superproteger o paciente

Outro comportamento comum é assumir todas as responsabilidades da pessoa que está doente.

“A família deve oferecer apoio, mas também estimular gradualmente a retomada da autonomia, sempre respeitando as orientações da equipe de saúde. Superproteção excessiva pode contribuir para a manutenção do transtorno.”

5. Ignorar sinais de agravamento

Mudanças importantes no comportamento merecem atenção. Isolamento social, abandono do trabalho ou dos estudos, alterações importantes do sono, uso abusivo de álcool ou outras drogas, desesperança persistente e falas relacionadas à morte devem ser levados a sério.

“Quando o sofrimento começa a comprometer a capacidade da pessoa de cuidar de si mesma ou quando surgem pensamentos de morte, a família deve procurar atendimento imediatamente. Nessas situações, uma avaliação psiquiátrica é indispensável.”

O tratamento também envolve quem está ao redor

De acordo com o Dr. Roberto Ratzke, familiares bem orientados conseguem identificar precocemente mudanças no comportamento e colaborar para que o paciente mantenha o tratamento.

“O apoio da família não significa resolver o problema pelo paciente. Significa compreender a doença, respeitar o tratamento, estimular a continuidade do acompanhamento e oferecer um ambiente de acolhimento, sem julgamentos.”

O especialista ressalta que, na maioria dos casos, os transtornos de ansiedade apresentam boa resposta ao tratamento quando diagnosticados precocemente.

“O objetivo é evitar que o sofrimento evolua a ponto de comprometer a vida social, profissional e familiar. A informação continua sendo uma das ferramentas mais importantes para reduzir o preconceito e ampliar o acesso ao tratamento, evitar a urgência e trazer a internação no momento certo.”

Serviço

O Hopital Heidelberg tem atendimento de emergência 24 horas, hospital dia, ambulatório e internamento integral em Curitiba (PR).

 (Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA / Divulgação / Hospital Heidelberg)

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