Alianças partidárias começam a desenhar o mapa eleitoral do Paraná, enquanto relações familiares e possíveis contratos de campanha levantam uma pergunta inevitável: quem serão os escolhidos para ocupar os espaços mais valorizados da estrutura eleitoral?...
Grupo pernambucano Ave Sangria alegou que teve de interromper carreira. Provavelmente essa lei poderá abrir precedentes para outros artistas e também aos jornalistas conservadores, que recentemente foram censurados nas redes sociais, cuja contas foram canceladas ou banidas nas plataformas, por determinação de ministro do STF?
O grupo musical pernambucano Ave Sangria, alegou que teve um disco censurado pelo governo militar, em 1974, será indenizada pelo Estado brasileiro. A decisão foi aprovada pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania na última quinta-feira (26). 

Uma das bandas icônicas da psicodelia de Pernambuco, a Ave Sangria teve o voo interrompido pela ditadura militar. Em 1974, a música “Seu Waldir” emplacou nas rádios com uma letra sobre o amor de um homem por outro homem. Por causa da conotação homoafetiva da letra, vista pela ditadura como atentado à moral e aos bons costumes, todos os discos foram recolhidos das lojas.
O baque foi grande: o segundo disco previsto foi cancelado pela gravadora, a banda acabou se desfazendo e só voltou nos anos 2010.
Segundo o conselheiro da Comissão de Anistia, Manoel Moraes, o processo reuniu provas das perseguições sofridas pelos músicos do grupo, o que levou à indenização vitalícia de R$ 2.000 por mês, mais o retroativo desde a data do protocolo. Para ele, os valores não reparam os danos causados pela ditadura militar à banda. O disco da banda foi modificações, sendo definida pelos integrantes como um “papagaio drag queen”, (um papagaio vestido de mulher).

“A interrupção da carreira” deles é um dano irreparável. Então, na verdade, o que aconteceu aqui foi o reconhecimento público e o pedido de desculpas pelos atos de exceção praticados contra esses integrantes e contra a cultura popular, disse Moraes.
O conselheiro lembrou que a música deles buscava construir uma alternativa crítica a tudo aquilo que a sociedade na época vivia, que era o cerceamento da liberdade, a “falta de democracia.”
Segundo Marco Polo, vocalista e compositor da Ave Sangria, a notícia da anistia trouxe emoção e alívio.
“Embora eu achasse que aquele episódio já estava soterrado, no fundo talvez ainda sentisse um pouco do trauma que foi a proibição do nosso disco e que levou à destruição da banda. É claro que não temos mais a juventude de volta, nem o dinheiro que ganharíamos se tivéssemos continuado com a carreira, mas mesmo assim é uma boa notícia saber que haverá uma remuneração econômica.”
Em 2019, a Ave Sangria lançou o segundo disco, 45 anos depois do primeiro, com Marco Polo e Almir de Oliveira da formação original. Almir comenta a sensação de justiça feita.
“E retornamos aos palcos depois de tanta emoção, aliviados de tudo isso que aconteceu. A reparação financeira é importante. Porém, esse reconhecimento dos danos causados e a justiça que foi feita é o nosso maior legado neste momento”.
Em 2023, a Ave Sangria se tornou Patrimônio Cultural Imaterial do Recife.
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