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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou um pedido de investigação contra o apresentador Ratinho, após declarações feitas por ele sobre a nomeação da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Câmara dos Deputados. O pedido, que incluía a solicitação de prisão do apresentador, foi negado pela Justiça.
A representação foi apresentada na quinta-feira (12) ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância. No documento, a parlamentar afirma que as falas do apresentador teriam caráter discriminatório e configurariam transfobia.
A controvérsia começou após Ratinho comentar, em seu programa de televisão (SBT), a escolha de Erika Hilton — que é uma mulher transexual — para comandar o colegiado responsável por discutir políticas públicas voltadas às mulheres.
Durante a crítica, o apresentador afirmou que “crítica política não é preconceito” e questionou a nomeação. [O fato de alguém ser trans não transformaria automaticamente a pessoa em mulher. Se considerar que metade da população brasileira é formada por mulheres, seria mais adequado que uma mulher ocupasse a presidência da comissão].
Na representação enviada ao MP-SP, Erika Hilton argumentou que as declarações extrapolam o campo da crítica política. Segundo a deputada, o discurso do apresentador baseia-se na “repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar e a sustentar que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres”.
Para a parlamentar, esse tipo de posicionamento impede a participação de trans em espaços institucionais voltados à defesa dos direitos das mulheres. A polêmica consiste no fato do público GLBT buscar ocupar a pauda que deveria ser exclusiva da mulheres, quando esses outros grupos, já têm suas próprias pautas garantidas dentro das instituições.
Acusado de transfobia, Ratinho voltou a se manifestar sobre o caso nesta sexta-feira (13). Em novas declarações, o apresentador reafirmou que suas falas fazem parte do debate público e que críticas a decisões políticas devem ser entendidas dentro do exercício do jornalismo e da liberdade de opinião.
O caso reacendeu discussões nas redes sociais e no meio político sobre os limites entre liberdade de expressão, crítica política e os temas relacionados à identidade de gênero e à representatividade em cargos públicos. foto: reprodução
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