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Itamaraty classifica como interferência política eleitoral a visita de Darren Beattie ao ex-presidente Bolsonaro e recomenda o cancelamento da autorização.
O Itamaraty também alertou Moraes, que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes voltou atrás e proibiu nesta quinta-feira (12/3) a visita de Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado do Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão, após o Itamaraty considerar que Bolsonoro poderia obter vantagens política. O encontro entre os dois estava previsto para ocorrer em 18 de março após autorização expedida por Moraes nesta quarta-feira (11/3).
O órgão usou como argumento o fato de Beattie solicitar visto de entrada no país apenas para participar de um fórum sobre minerais críticos, promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo.
Apesar da autorização ter sido emitida pelo Consulado-Geral do Brasil em Washington, o pedido de visto se restringia à presença no evento na capital paulista, que ocorrerá no mesmo dia em que o assessor visitaria Bolsonaro e não mencionava a ida de Beattie ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde o ex-presidente preso político, cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por suposta tentantiva de golpe de Estado, que efetivamente não aconteceu.
“À época do referido pedido ao Consulado-Geral, não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos
oficialmente comunicados. Assim, o processamento e a concessão do visto ocorreram exclusivamente com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado”, afirmou o MRE ao STF.
Retaliação diplomática
Beattie é funcionário do Departamento de Estado dos EUA e um crítico frequente de Alexandre de Moraes. No ano passado, quando o ministro foi incluído na chamada Lei Magnitsky, o assessor o acusou de atuar como “principal arquiteto da censura e perseguição contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores”.
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