Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 4 de fevereiro de 2026

Por entre cafés, conversas cruzadas e análises afiadas, a Boca Maldita segue sendo o termômetro da política paranaense.

Há uma máxima antiga nos meios políticos do Paraná que resiste ao tempo: se a política não passa pela Boca Maldita, simplesmente não aconteceu. Localizada no coração de Curitiba, a Boca Maldita segue como um dos principais redutos informais do debate político regional e estadual, onde rumores, apostas e leituras antecipadas do cenário eleitoral ganham corpo.

Nesta semana, o assunto dominante entre os frequentadores foi a sucessão no Paraná e, especialmente, a disputa pelas duas vagas ao Senado da República que estarão em jogo nas próximas eleições.

De acordo com comentários recorrentes e pesquisas citadas nos bastidores, despontam como nomes mais competitivos a jornalista Cristina Graeml (União Brasil) e o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo). Ambos aparecem bem posicionados em diferentes levantamentos informais que circulam entre lideranças políticas e analistas.

Outro nome que entra no radar é o da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), cuja eventual candidatura é vista como uma tentativa de reorganizar o campo da esquerda na disputa majoritária. Ainda assim, a avaliação predominante na Boca Maldita é de que será difícil surgir um nome capaz de fazer frente ao senador Sérgio Moro, que, segundo avaliações correntes, lidera com folga as intenções de voto para o governo do Estado.

Nesse cenário, Requião Filho (PDT) aparece como o principal representante do campo progressista, reunindo, mesmo que informalmente, simpatias de partidos como PDT, PT, PSOL, PCdoB, PV e PSB. Apesar de não haver uma aliança formalizada, ele surge como o segundo nome mais citado nas conversas e sondagens de opinião.

O vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), também foi lembrado. Ele já começa a pontuar nas pesquisas e é visto como alguém que pode crescer, especialmente se receber apoio direto do governador Ratinho Junior.

A aposta de muitos é em uma campanha fortemente polarizada entre Sérgio Moro e Requião Filho, repetindo uma lógica que tem marcado eleições recentes no país.

CANDIDATOS DO GOVERNO

Mas nenhuma discussão na Boca Maldita estaria completa sem especulações sobre quem será, afinal, o candidato escolhido pelo governador Ratinho Junior. Entre os nomes lembrados, aparece o vice-governador Darci Piana (PSD), apontado como experiente e respeitado. A possibilidade de uma chapa com Alexandre Curi, atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, chegou a ser ventilada. No entanto, a idade avançada de Piana, hoje com 83 anos, e a fadiga, levanta dúvidas sobre fôlego político e eleitoral.

Alexandre Curi (PSD), por sua vez, é considerado bem articulado e com forte perfil municipalista, mas ainda enfrenta dificuldades para se projetar junto ao eleitorado em escala estadual.

Outro nome citado é o de Guto Silva (PSD), atual secretário das Cidades, que carrega a referência política de Ratinho Pai. Apesar disso, segundo relatos atribuídos ao jornalista Lineu Thomas, seu nome não encontra consenso dentro do próprio partido e não decola nas pesquisas.

O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD), também entrou no radar. Comentários indicam que ele pode deixar o PSD nos próximos dias. Recentemente, Greca teria sido convidado pelo deputado Ricardo Barros para disputar o governo pelo Progressistas. Caso isso se confirme, o movimento pode provocar um racha na federação União Brasil–Progressistas e interferir diretamente na estratégia de Sérgio Moro.

Entre os possíveis nomes surpresa, surge o de Álvaro Dias (MDB), ex-governador e ex-senador. Sua candidatura dependeria exclusivamente do desempenho nas pesquisas, embora muitos acreditem que seu caminho mais provável seja uma vaga no Senado.

Há ainda quem cogite uma nova tentativa do ex-senador Osmar Dias, possivelmente pela Rede Sustentabilidade. A hipótese, contudo, é vista com ceticismo por parte dos frequentadores da Boca Maldita, que lembram das tentativas anteriores sem sucesso.

O deputado Romanelli, figura constante nas rodas de conversa do local, avalia que o cenário pode mudar completamente assim que o governador definir publicamente seu candidato. Ratinho Junior, que ostenta cerca de 80% de aprovação, teria grande capacidade de transferir prestígio político a quem escolher.

Lineu Thomass, por outro lado, avalia que praticamente qualquer nome indicado pelo governador teria chances reais — com exceção de Guto Silva, na sua leitura.

Ao fim das conversas, um sentimento comum se impõe: há um claro descontentamento popular. Uma angústia difusa, um desejo por renovação e por alguém que rompa com o que muitos chamam de “sistema viciado”. O eleitor, segundo se ouve na Boca Maldita, espera uma liderança autêntica — sem ilusões, sem discursos fabricados por marqueteiros, sem promessas incoerentes.

E, como sempre, se essa expectativa vai se transformar em realidade, a própria Boca Maldita tratará de anunciar primeiro.

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