Proposta voltada à população em situação de rua estabelece critérios para a chamada internação humanizada, que poderá ocorrer nos casos em que houver risco iminente à vida da própria pessoa ou a de terceiros. O...
Uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas revela que a ampla maioria da população de Curitiba apoia a internação involuntária de dependentes químicos. Segundo o levantamento, 86% dos curitibanos são favoráveis ao procedimento, enquanto 8,4% se posicionam contra, 3,1% concordam dependendo da situação e 2,5% não souberam ou preferiram não opinar.
O estudo foi realizado entre os dias 22 e 25 de janeiro, com 802 entrevistas, e apresenta margem de erro de 3,5 pontos percentuais. Além de medir a opinião sobre a internação involuntária, a pesquisa também avaliou o nível de conhecimento da população sobre as mudanças recentes no procedimento. De acordo com os dados, 68,6% dos entrevistados afirmaram saber das alterações, enquanto 31,2% disseram não ter ouvido falar.
Outro ponto abordado foi a percepção da população em relação à presença de dependentes químicos nas ruas da capital. Para 83,5% dos entrevistados, é possível notar uma redução desse público; 10,5% afirmaram que não houve diminuição, 3,9% disseram que a redução ocorreu apenas em partes, e 2,1% não souberam ou não quiseram responder.
População em situação de rua cresce em Curitiba
Apesar da percepção de redução apontada pela maioria dos entrevistados, Curitiba registra atualmente entre 4.000 e 4.200 pessoas em situação de rua, segundo dados do Cadastro Único (CadÚnico) e do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (ObPopRua/UFMG), referentes aos anos de 2024 e 2025. O número reflete um crescimento constante ao longo da última década e coloca a capital paranaense entre as nove capitais brasileiras com maior população de rua.
Levantamento da Prefeitura de Curitiba mostra que 56% dessa população se declara branca, 90% é do sexo masculino e 92% está em idade produtiva, entre 18 e 59 anos. Um dado que chama atenção é que 82% já tiveram carteira assinada, indicando que a situação de rua não está necessariamente associada à falta de histórico profissional.
Vínculos familiares e causas da situação de rua
A pesquisa municipal aponta ainda que 33% das pessoas em situação de rua mantêm contato diário ou mensal com familiares, e 55% são naturais de Curitiba ou residem na cidade há mais de 10 anos. Entre os principais fatores que levaram essas pessoas a viver nas ruas estão desemprego, conflitos familiares, alcoolismo e perda de moradia.
Maior sensibilidade à situação das mulheres
Os dados também revelam uma maior sensibilidade da sociedade em relação às mulheres em situação de rua, que representam cerca de 10% do total cadastrado no CadÚnico, mas correspondem a 30% das solicitações de atendimento para pessoas vulneráveis registradas no serviço 156. Especialistas apontam que essa discrepância está relacionada à maior exposição das mulheres à violência.
Outro fenômeno observado é o aumento do número de casais em situação de rua, indicando mudanças no perfil dessa população e novos desafios para as políticas públicas de assistência social.
Os números reforçam que, embora exista amplo apoio popular à internação de dependentes químicos, o problema da população em situação de rua em Curitiba é complexo e envolve fatores sociais, econômicos e familiares, exigindo ações integradas de saúde, assistência social e geração de oportunidades.
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