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O setor industrial chega a quatro meses seguidos sem crescimento, e no mê de julho a produção da indústria brasileira recuou 0,2% no período. A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostra acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta de 3% prevista pelo governo.
O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (3) pela Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De abril a julho, a indústria acumula perda de 1,5%, sendo quedas em abril (-0,7%) e maio (-0,6%) e estabilidade em junho (0%). A última vez que o parque industrial brasileiro somou quatro meses sem expansão foi entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023.
Efeito do juro alto
De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, o cenário predominante negativo desde abril é explicado pela política monetária restritiva, ou seja, os juros altos, ferramenta do Banco Central (BC) para conter a inflação.
“Em termos conjunturais, destacam-se os efeitos de uma política monetária mais restritiva – que encarece o crédito, eleva a inadimplência e afeta negativamente as decisões de consumo e investimentos. Esses fatores contribuíram para limitar o ritmo de crescimento da produção industrial no período, refletindo-se em resultados mais moderados frente aos meses anteriores”, analisa Macedo.
Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o patamar mais alto desde julho de 2006. Os juros altos têm o efeito de desestimular o consumo e o investimento para esfriar a economia e diminuir a procura por bens e serviços, consequentemente, tirando força da inflação.
Em julho, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrou acúmulo de 5,23% em 12 meses, fora da meta do governo que seria de 3% prevista para 2025.
A taxa está acima do teto desde setembro de 2024 (4,42%). Em abril, chegou a 5,53%, o ponto mais alto desde então.
Setores
Na passagem de junho para julho, o IBGE identificou queda em 13 das 25 atividades industriais. Os destaques negativos foram:
– metalurgia (- 2,3%)
– outros equipamentos de transporte (-5,3%)
– impressão e reprodução de gravações (-11,3%)
– bebidas (-2,2%)
– manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,7%)
– equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2%)
– produtos diversos (-3,5%)
– produtos de borracha e de material plástico (-1%)
Entre as atividades com alta na produção, os principais impactos positivos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,9%), alimentícios (1,1%), indústrias extrativas (0,8%) e produtos químicos (1,8%).
Fonte Agência Brasil – foto Bruno de Freitas Moura
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