Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 30 de abril de 2025

Contudo, o número de profissionais médicos está 25% abaixo do mínimo recomendado pela OCDE

O Brasil deverá registrar 635.706 médicos em atividade até o final deste ano, o que representa uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes. Mesmo assim, o número permanece abaixo do recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que são 3,7 profissionais por mil habitantes.

Segundo estudo da Demografia Médica 2025, lançado nesta quarta-feira (30), mostram que as mulheres passarão a representar a maioria dos médicos, com 50,9% do total de profissionais em atividade no país.

As projeções para 2035 é que o número de médicos no país deva supera a marca de 1 milhão, com possibilidade de alcançar aproximadamente 1.150.000 o equivalente a 5,2 profissionais por mil habitantes. A expectativa é que as mulheres serão 55,7% desse do total de médicos, que estarão em atividade dentro de 10 anos.

Os dados utilizados têm como base registros da Comissão Nacional de Residência Médica, do Ministério da Educação, e de sociedades de especialidades vinculadas à AMB.

A informação é do departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), que conduz o levantamento estátisticos há 15 anos. A edição de 2025 é a primeira realizada com o apoio do Ministério da Saúde. A pesquisa reúne dados nacionais e internacionais sobre formação, distribuição e atuação de médicos, com projeções para os próximos anos.

Desigualdades

A pesquisa mostra que existe desiguadade na distribuição de médicos pelo país, muitas cidades não recebem o atendimento médico necessário. O levantamento mostra que 48 cidades com mais de 500 mil habitantes concentram 31% da população brasileira e 58% dos médicos em atividade em todo o território nacional.

O estudo apresentado mostra que 4.895 cidades tem menos de 50 mil habitantes, as quais concentram 31% da população brasileira, no entanto, tem apenas 8% dos profissionais médicos.

A 19 macrorregiões em saúde distribuídas pelo território nacional contam com menos de um médicos por mil habitantes, enquanto outras 15 macrorregiões estam melhores atendidas com uma média de mais de 4 médicos por mil habitantes, mesmo assim, ainda abaixo do ideal que seria 5 médicos para cada mil habitantes.

Em 2035, a projeção é que o Distrito Federal, por exemplo, contabilize 11,83 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,11 médicos por mil habitantes, e por São Paulo, com 7,17 médicos por mil habitantes.

No mesmo prazo de dez anos, o Maranhão deve registrar uma média de apenas 2,43 médicos por mil habitantes, seguido pelo Pará, com 2,56 médicos por mil habitantes, e pelo Amapá, com 2,76 médicos por mil habitantes.

Expansão da graduação

Os dados mostram que, entre 2004 e 2013, 92 novos cursos de medicina foram registrados no país, com 7.692 novas vagas. Já o período de 2014 a 2024 contabilizou 225 novos cursos de medicina em todo o Brasil, com 27.921 novas vagas.

Também foram registradas novas vagas em cursos de medicina já existentes – 697 no período de 2004 a 2013 e 11.110 entre 2014 e 2024.

Residência médica

A pesquisa indica que as vagas de residência médica não acompanham a graduação – em 2024, cerca de 8% dos médicos do país cursavam algum programa de residência médica em 2024.

Os dados mostram que 51,5% dos médicos aguardam até um ano após a graduação para ingressar na residência médica; 22,1% até dois anos; 12,5% até três anos; 9,2% até cinco anos; e 4,7% mais de cinco anos.

Médico generalistas

Do total de 597 mil médicos em atividade no Brasil em 2024, 59,1% ou 353.287 eram especialistas, enquanto 40,9% ou 244.142 eram generalistas.

Os homens são maioria em 35 das 55 especialidades médicas, sobretudo em urologia (96,5%) e ortopedia e traumatologia (92%). As especialidades com maior presença feminina são dermatologia (80,6%) e pediatria (76,8%).

Entre os médicos especialistas, 50,6% se concentram em sete áreas: clínica médica (12,4%), pediatria (10%), cirurgia geral (7,8%), ginecologia e obstetrícia (7,4%), anestesiologia (4,7%), cardiologia (4,3%) e ortopedia e traumatologia (4%).

Distrito Federal e São Paulo respondem pelas maiores razões de especialistas por 100 mil habitantes (453 e 244, especificamente), enquanto Maranhão e Pará respondem pelas menores taxas no país (68 e 70, respectivamente). informações: Agência Brasil

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