O que pode colocar em risco a democracia: as denúncias dos ilícitos cometido pelas autoridades ou a corrupção mantida em sigílo? O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, garantiu, nesta sexta-feira (4), em...
Governo português acaba com a manifestação de interesse, instrumento que permitia aos estrangeiros regularizarem a situação documental junto às autoridades. Brasileiros terão tratamento facilitado para trabalhar e viver em território luso
Lisboa — O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, cumpriu à risca o que havia prometido durante a campanha eleitoral: apertou as regras para a imigração no país. A partir de agora, não será mais permitido que pessoas entrem como turistas e fiquem morando, ilegalmente, em território luso até conseguirem a autorização oficial de residência. Para a regularização dos documentos, bastava as pessoas recorrerem à manifestação de interesse, expressando o desejo de viver em terras portuguesas. Esse mecanismo, criado em 2017 e que era usado, principalmente, por brasileiros, foi extinto. Os mais de 400 mil processos em andamento serão respeitados.
Pelas novas regras, detalhadas nesta segunda-feira pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, aqueles que realmente decidirem emigrar para Portugal para morar e trabalhar terão de pedir um visto de emprego nos consulados portugueses. No caso dos brasileiros e dos demais cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), haverá uma alternativa à manifestação de interesse, mas ainda não há detalhamento sobre o instrumento, o que, segundo o ministro, será feito em breve. Há um acordo de mobilidade entre Portugal e as ex-colônias que falam português.
O objetivo claro do Plano de Ação para as Migrações, composto por quatro eixos — imigração regulada, atração de talento estrangeiro, integração humanista que funcione e reorganização institucional — e 41 medidas é limitar, sobretudo, a entrada em Portugal de pessoas oriundas de países como Índia, Paquistão, Bangladesh e Nepal. Esses cidadãos têm enfrentado uma onda crescente de xenofobia, alimentada, sobretudo, pela extrema direita. Os portugueses mais radicais atribuem a esses imigrantes o aumento da criminalidade, o que Montenegro nega, e alegam que eles querem impor uma nova cultura no país, baseada no islamismo.
A preferência do governo português pelos brasileiros e pelos cidadãos dos demais países da CPLP está reforçada em outra medida do plano para migrações. As autorizações de residência emitidas via o acordo de mobilidade — a maioria já caducada — serão renovadas por mais um ano, conforme decreto a ser publicado até 30 de junho. Nesse período, os portadores desses títulos serão chamados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilos (Aima) para a recolha de dados biométricos. A autorização de residência deixará de ser impressa em papel A4 e substituída por cartões que permitirão a livre circulação pelo Espaço Schengen, da União Europeia.
Logo após o anúncio do pacote restringindo à imigração, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou um decreto tornando todas as medidas válidas. Em nota, ele destacou que, “tendo presente a situação urgentíssima de regularização de muitos milhares de processos pendentes de autorização de residência, respeitando as situações existentes até ao presente”, o pacote elaborado pelo governo, “evita sobrecarregar os processos de regularização em curso com novas manifestações de interesse, admitidas na legislação anterior”. O líder português espera que, com tal decisão, o Executivo resolva os mais de 400 mil processos pendentes de imigrantes que vivem em Portugal, sendo a maioria, de brasileiros.
Profissionais qualificados
Para o Luís Montenegro, diante do caos que se estabeleceu no processo migratório, não restou alternativa ao governo a não ser apertar a regulação para a entrada de estrangeiros no país. “Acabamos com alguns mecanismos que se transformaram num abuso excessivo da nossa disponibilidade para acolher. A circunstância de termos um procedimento segundo o qual uma simples manifestação de interesse é suscetível de facilitar e descontrolar a entrada de imigrantes em Portugal teve fim hoje”, assinalou. No entender dele, todos querem Portugal de portas abertas, mas não escancaradas.
O pacote voltado à imigração passará pelo reforço de pessoal nos consulados dos países de língua portuguesa e da Índia. A Aima assumirá o atendimento presencial dos estrangeiros, papel que havia sido delegado ao Instituto dos Registros e do Notariado (IRN), a rede de cartórios portugueses. Haverá, também, reforço financeiro para o Observatório das Migrações visando o retorno de imigrantes em dificuldades para os países de origem, suporte maior às associações de apoio a estrangeiros e implantação de uma unidade de fronteiras na Polícia de Segurança Pública (PSP) para controlar quem entra e quem sai do país.
Portugal quer, com todas essas medidas, atrair mais profissionais qualificados alinhados às necessidades do país e promover a atração e a frequência de alunos estrangeiros nas instituições de ensino superior — os brasileiros são mais de 50% dos alunos de mestrado e doutorado no país. Atualmente, de acordo com o governo, quase 31% dos trabalhadores estrangeiros que vivem em território luso têm baixa qualificação. Pelos dados preliminares de 2023, há 1,04 milhão de imigrantes morando em Portugal. Eles contribuíram, liquidamente, para a Segurança Social, 1,6 bilhão de euros (R$ 9,3 bilhões) no ano passado.
Veja Também
Moraes não tem condição “moral” para de seguir no STF, diz Flávio Bolsonaro
Candidato Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que espera autorização do plenário da Corte para investigar formalmente o ministro O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (4/9), em São Carlos (SP),...
PESQUISA: Flávio na frente com 45% e Lula registra 44% no 2º turno, diz PoderData/Aya…
Candidato do PL oscilou 1 ponto percentual para cima em 7 dias e aparece numericamente à frente do adversário do PT pela 1ª vez; diferença permanece dentro da margem de erro. Pela 1ª vez desde...